Zilda Maria Souza Guimarães[1]
O presente artigo procura evidenciar a leitura em seus diversos aspectos, bem como demonstrar a sua importância desde as séries iniciais. Ler corresponde ao processo de apreensão da realidade que cerca o sujeito. A escola se torna fator fundamental na formação do leitor e na aquisição do hábito da leitura. Para tal, a escola deve privilegiar a “leitura de mundo” que a criança já faz e traz para a escola. O professor se apresenta como importante mediador do processo de leitura. É de extrema importância que se realizem projetos de formação para a prática de leitura do professor; a motivação do aluno para a aprendizagem da leitura; e a formação de bons leitores, entre outros. Destarte, os objetivos gerais deste estudo consistem em formar o leitor autônomo, através de estímulos à sensibilidade, criatividade, criticidade e ao gosto pela leitura, contribuindo para a construção de uma cidadania plena. Para tanto, o presente estudo pretende desenvolver atividades que convirjam para ações voltadas diretamente para alunos e professores das séries iniciais do ensino fundamental.
Palavras-chave: Leitura, Leitor, Aprendizagem, Proficiência em Leitura, Relação Família-Escola.
INTRODUÇÃO
[...] Ler um texto implica não só aprender o seu significado, mas trazer para esse texto nossa experiência e visão de mundo como leitor.
O mundo da leitura tem muitas facetas. Lê-se para ampliar os limites do próprio conhecimento, para obter informações. Lê-se em busca de diversão e descontração. Lê-se para chegar ao prazer dos textos. Prazer que resulta de um trabalho intelectual intenso em diferentes níveis, que se instaura entre o leitor e o autor. A leitura deve causar prazer.
Destarte, os objetivos gerais deste estudo consistem em formar o leitor autônomo, através do estímulo à sensibilidade, criatividade e criticidade e da formação do gosto pela leitura, contribuindo para a construção de uma cidadania plena; possibilitar a interação da criança com os mais diversos textos em situações significativas e diferenciadas; proporcionar acesso de alunos das séries iniciais às novas tecnologias, desmistificando seu uso e viabilizando-o como nova possibilidade de linguagem. Para tanto, este estudo pretende desenvolver atividades que convirjam para ações voltadas diretamente para alunos e professores das séries iniciais do ensino fundamental.
O QUE É LEITURA?
O conceito de leitura é muito amplo e complexo, pois a questão envolve uma infinidade de respostas. Portanto, para se entender o conceito de leitura não basta procurar no dicionário o significado da palavra. Ler envolve uma série de práticas e de experiências; implica em aspectos ligados ao sujeito que lê, à situação em que lê, aos motivos pelos quais lê etc. Segundo BARROS & GOMES (2008):
"A leitura é um ato complexo, que abrange processos perceptuais, cognitivos, linguísticos, comunicativos, sociais e emocionais. É muito importante considerar as condições afetivas, interesse e motivação em relação ao ato de ler, para que se possa garantir prazer e gosto pela leitura no dia-a-dia da vida. Qualquer alteração em um destes aspectos pode causar prejuízos no processo de desenvolvimento e aprendizagem." (p.336)O conceito de leitura passa pela compreensão do mundo. Entender o que é leitura e para o que ela serve, certamente, nos fará melhores professores. Muitos entendem que ler é somente decifrar as palavras, dando sentido às mesmas. É claro que ler é isso, mas não somente uma decifração, uma vez que exige uma interação entre o leitor e o texto.
[...]
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA
Ensinar a ler não significa ensinar as letras.
(BARROS & GOMES)
[...] É dever do professor conscientizar os alunos sobre a importância dos livros didáticos, incentivar o hábito da leitura, fazendo-os amar o livro; assimilando-lhes responsabilidades e cumprindo, assim a responsabilidade com as gerações que formarão os homens do amanhã.
Considerando a leitura como algo complexo, segundo alguns especialistas, nota-se que não há fórmulas prontas para formar leitores, mas existe um conjunto de fatores sociais e metodológicos podem influenciar nessa formação. Deste modo, uma questão aqui se torna pertinente: como avaliar o que o aluno leu e compreendeu; que metodologia aplicar para que o procedimento da leitura possa ser avaliado objetivamente?
MAIMONI & BORTONE (2001), em sua pesquisa, “Colaboração família-escola em um procedimento de leitura para alunos de séries iniciais”, nos esclarece, em relação ao processo de avaliação da leitura, que existem três níveis de leitura:
"Em primeiro lugar, a leitura objetiva, na qual se aborda o que está explícito no texto, fazendo-se levantamento léxico contextualizado. Em segundo lugar, a leitura inferencial, na qual o aluno é levado a detectar as inferências, isto é, o que está implícito no texto. Este nível de leitura é essencial, pois aqui o aluno faz as suas inferências baseando-se na sua visão de mundo, suas experiências e sua ideologia, enfim, em seu contexto sociocultural. É o momento da interação leitor/texto. O leitor durante a leitura, age sobre o texto e constrói significados de acordo com as suas perspectivas e sua visão de mundo. Sendo assim, é lógico que o sentido de um texto não será o mesmo para todos os alunos. [...] O terceiro nível de leitura é a leitura avaliativa, na qual o aluno extrapola o texto, manifestando sua postura crítica, baseando-se nas suas ideologias, seus julgamentos pessoais e suas reações diante das idéias expressas pelo autor. A leitura avaliativa é considerada a “ponte” para produção do texto. Assim, se o professor conseguir passar da leitura objetiva para a avaliativa estará dando “voz” ao aluno e permitindo que ele seja sujeito do seu discurso." (p.40)O ensino da leitura está, particularmente, na importância da utilização de textos literários e na proposta para o uso de diversos tipos de textos; nas ações voltadas a formação pessoal e intelectual do ser humano, ainda nas séries iniciais.
Paulo Freire insiste na visão de que os textos devem ser “adentrados” para serem realmente compreendidos, colocando-se o célebre educador, deste modo, em postura contrária ao processo mecânico da memorização:
"A memorização mecânica da descrição do objeto não se constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de um objeto, é feita do sentido no sentido de memorizá-la; nem é real leitura, nem dela portanto resulta o conhecimento do objeto de que o texto fala.[...] Uma indagação logo surge à nossa consciência, provocando inquietação. Sendo o exemplo o grande incentivador do hábito de ler, como professores de “comportamento pouco favorável à leitura” podem comprometer-se em formar pequenos bons leitores?
[...] A insistência na quantidade de leitura sem o devido adentramento nos textos a serem compreendidos, e não mecanicamente memorizados, revela uma visão mágica da palavra escrita. Visão que urge ser superada. A mesma, ainda que encarnada deste outro ângulo, que se encontra, por exemplo, em quem escreve, quando identifica a possível qualidade de seu trabalho, ou não, com a quantidade de páginas escritas."(FREIRE, 2005, p.108-109)
BARROS & GOMES (2008), ao término de sua pesquisa, resumem os dados levantados, realizam um diagnóstico dos problemas apresentados – que, ao leitor do seu relato, não deixa de causar espanto, estarrecimento, inquietude e exasperada preocupação –, por fim, sugerem algumas possíveis soluções para a realidade ora apresentada:
"Verificou-se que, 30% dos professores apresentaram um comportamento altamente favorável ou favorável para a leitura (grupo 1 e 2) e 70% dos professores apresentaram comportamento pouco favorável para a leitura (grupo 3). A grande maioria dos professores não desenvolveu uma relação afetiva com o ato de ler e não apresenta hábito de leitura, tão necessário, para formar pequenos leitores em bons leitores e, ainda, desconhecem os propósitos da prática de leitura na sala de aula. É de extrema importância que se realizem projetos de formação para a prática de leitura do professor, onde se discutam as suas atitudes afetivas, experiências pessoais e pedagógicas, as concepções que ele tem sobre a leitura, suas funções e usos, a motivação do aluno para a aprendizagem da leitura e a formação de bons leitores, entre outros." (p.341)Portanto, neste sentido, justificado pelas realidades constatadas e relatadas ao longo deste texto, é que nosso estudo pretende desenvolver atividades que convirjam para ações eficazes voltadas diretamente para alunos e professores de séries iniciais do ensino fundamental.
A IMPORTÂNCIA DO ENVOLVIMENTO DE PAIS NO INCENTIVO À LEITURA PARA ALUNOS DE SÉRIES INICIAIS
O aprendizado da leitura é responsabilidade de quem?
Estudo revelou que, as experiências de leitura compartilhada, desde bem cedo, antes da idade escolar, proporcionam um desempenho importante em todas as tarefas acadêmicas futuras. Relatou que leitores não capazes tiveram significativamente menos experiências de leitura compartilhada com seus pais antes do aprendizado formal do que os leitores capazes. (BARROS & GOMES, 2008, p.339)
Segundo MAIMONI & BORTONE (2001), relatório elaborado pela UNESCO, aponta que “a colaboração família-escola tem sido bastante enfatizada, como uma das metas para a educação no milênio que se inicia”. Ainda de acordo com as pesquisadoras:
Estudos recentes têm sido desenvolvidos nessa direção, mostrando as vantagens dessa parceria para a escola e para os alunos [...]. Porém, antes da entrada da criança na escola, a família se coloca como a principal mediadora das aprendizagens infantis e uma das variáveis, que se têm sido estudadas diz respeito a como se dá essa mediação e no que ela pode ampliar o potencial de aprendizagem dos alunos, facilitando o trabalho futuro de professores. (p.37)[...]
Embora se reconheça que a família não é a única responsável pelo sucesso escolar, segundo MAIMONI & BORTONE (2001), “há muitos indícios de que algumas causas das dificuldades escolares estejam situadas na família, mas que também o auxílio dos pais ao aluno em casa pode ser um importante determinante no sucesso escolar.” (p.38)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
[...] Torna-se uma responsabilidade escola-família o dever de possibilitar a interação da criança com os mais diversos textos, em situações significativas e diferenciadas, bem como, proporcionar o acesso de alunos das séries iniciais às novas tecnologias, desmistificando seu uso e viabilizando-a como nova possibilidade de linguagem.
Entretanto, mudanças na postura do professor em relação à valorização da leitura em sala de aula se tornam extremamente necessárias. Sabe-se que, solucionar as deficiências no processo de aprendizagem da leitura, não se manifesta em uma tarefa fácil com resultados imediatistas. No entanto, faz-se necessário que os profissionais de educação adaptem novas práticas, tornando-as gradual e permanentemente inseridas na sua “prática pedagógica, por isso política” – como já diria Paulo Freire.
Sugerimos também, a implementação de projetos que viabilizem: o diagnóstico do contexto sócio-escolar das localidades circunvizinhas à minha prática político-pedagógica; a realização de ações de formação e estímulo à prática de leitura do professor; a colaboração entre família e escola que, efetivamente, proporcionem o envolvimento de pais na vida escolar do aluno; e, contribuir para a proficiência em leitura por parte dos sujeitos envolvidos no processo político-pedagógico.
_______________________________
[1] Artigo apresentado ao Instituto Brasileiro de Educação (IBE), em 2012, como requisito final para obtenção do título de especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira.
Zilda Maria Souza Guimarães é graduada em Pedagogia pela ULBRA. Email: zildamariaguimaraes@hotmail.com
Agradecemos a colaboração da docente Sandra Maria Maria Cardoso, pela participação na pesquisa.
__________________________
NOTA: O conteúdo na íntegra deste artigo está disponível para download no seguinte link: A Importância da Leitura nas Séries Iniciais